20/12/09

Filho do Rei - Poesia de Natal

Era noite quando ele aqui chegou
E o mundo de então não se abalou
Por entre a palha e panos o colocou
Numa manjedoura  sua mãe o embalou

Sua recepção aqui foi singular
Somente pastores o vieram adorar
Tão poucos de joelhos a louvar
Aquele que veio ao mundo  amar!

Apesar de humilde descer
Desde então ele veio ser
Sacerdote, profeta e salvador
Nasceu para me valer!

Mesmo ali, na manjedoura em Belém
Podíamos ver que o menino nascido
Seria  do céu a resposta ao pedido
Emanuel está conosco também!

Sua vida aqui no mundo foi de amor
Ensinou-nos o perdão e o valor
De uma vida consgrada a Deus
E ao próximo com fervor!

Tudo aquilo que ensinou e nos mostrou
Ele, um dia, lá na cruz nos confirmou
Pois veio ao mundo e se entregou
E até ao fim ele amou!

Todo poder, beleza e majestade
Abdicou para entre nós viver
Milagres, ações e palavras de verdade
Fez o mundo ao Filho do Rei reconhecer!

Mesmo hoje tanto tempo já passou
Mas eu ainda posso crer e afirmarei
Que Ele abdicou da glória e se doou
Para que eu pudesse ser também Filho do Rei!

Joed Venturini

O MENINO DO COMBOIO - poema de Natal



O comboio corria veloz em passo ritmado, rumo ao Norte
Aqueles que dentro estavam se consideravam com sorte
É que lá fora o vento uivava feroz e cortava a respiração
Já dentro, o clima era gostoso devido à calefação

Uma mãe viajava com seus dois filhos no vagão principal
Formavam uma cena bonita, tocante, quase angelical
As crianças ouviam-na contar histórias com atenção dedicada
E a mãe se esforçava para manter a prole concentrada

A história em pauta era a do natal que se aproximava
As crianças sorviam as palavras com o cuidado que a mãe desejava
Nada perdiam de todos os pormenores da narração deliciosa
E a contadora se esmerava nos detalhes, era mesmo caprichosa

Tão concentrados estavam, que nem chegaram a reparar
Num novo passageiro que lentamente se viera a aproximar
Era um menino de pele morena, olhos escuros, ar assustado
Mas que se achegava devagarzinho, claramente interessado

Então, num susto meio alarmante a filha mais nova o notou
Chegou-se à mãe um tanto apavorada e nela se aconchegou
O menino moreno esbugalhou os olhos e abaixou o rosto
Estava acostumado à rejeição, e a olhares de contragosto


Em sua face curtida do sol, do frio e do vento invernal
Apagou-se a luzinha que brilhara de modo pouco habitual
É que a cena daquela família à sua frente reunida
Parecia a resposta de uma prece tantas vezes oferecida


Mas o olhar assustado, a testa enrugada em desaprovação
Recordara o garoto de sua triste, amarga e injusta posição
Não deveria ter saído da terceira classe onde se escondera
Ele e o pai,que já dormia, vitima de mais uma bebedeira

Antes porém que o menino pudesse se afastar tristonho
A mãe recuperou o ânimo e o chamou com ar risonho
Não gostaria ele de se juntar ao grupo para ouvir continuar
A linda história que a pouco se estivera a contar?

E o menino acanhado, mas com novo alento se aproximou
Timidamente se foi sentando e logo com um sorriso se acomodou
A mãe mantinha a filha no colo e o filho à sua frente
Respirou fundo e voltou à história que não saíra da mente


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10/12/09

Rui, ou "As Aparências Enganam"!

(Conto baseado em história real)

_ Ninguém fala mal da minha mãe! (gritou o garoto mirando o oponente com raiva nos olhos)
_ Pois, eu repito o que disse! (reiterou o outro rindo)
Maldita e pejorativa a frase se escapuliu de seus lábios qual cuspidela fétida de tuberculose terminal,  levantando uma onda de risos e provocações do bando reunido.

O menino olhava o inimigo com os olhos injetados de sangue. Era pequeno, talvez 10 anos, franzino e branquinho, de cabelo louro como uma espiga de trigo madura e certamente mais fraco que o adversário.  Sem medir as consequências de seu ato fútil, carregou sobre o outro cheio de fúria justificada.

O grandalhão, bem uns 15 anos, braços de homem acostumado ao trabalho pesado limitou-se a se desviar ligeiramente e aproveitar o embalo do garoto para o projetar sobre o chão de cascalho.  A patota riu alto, divertida.   As provocações e gargalhadas cresciam de tom à medida que o desastre era mais evidente.

Levantando-se a custo, com os braços ralados e ardendo e as calças já rasgadas a criança não se conteve.  No seu rosto lia-se um misto de medo, susto, indignação e ódio.   Não aceitaria aquela situação enquanto ainda tivesse um pouco de dignidade.  Tentou novo assalto.  Desta vez foi mais moderado e cuidadoso.  O chão de pedrinhas e alcatrão não era nada convidativo.

O resultado foi tão mal ou pior do que o anterior.  O saldo foi um olho negro e toda a turma o rodeando com insultos.  Ele se deixou ficar no chão chorando baixinho, derrotado, humilhado, destruído.

Aquela tinha sido a vingança covarde dos que não podiam competir com ele na sala de aula. Desde que chegara ali, não se limitara a ser estrangeiro, o “russinho”, o protestante.  Era também o melhor aluno em tudo, querido e admirado dos professores, bajulado dos pais, bem visto pelas meninas.  Estas coisas se pagam caro aos 10 anos.  E o carrasco fora bem escolhido.

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CONTO REGIONAL

"É para se ir fazendo..."
Fui criado nas ilhas portuguesas dos Açores. Guardo recordações maravilhosas desses tempos. A cosmovisão açoreana é típica do ilhéu e se resume na frase que serve de título a este conto.   A Maria tinha o ar mais consolado do mundo.  É verdade que a vida ia difícil. Era verdade que o Manuel não era lá o marido que ela esperava.  Mas, que importava isso se estava agora á espera de seu primeiro rebento?
E sentada na varanda bordava para seu enxoval quando o Ti Zeca, da Herminia lhe gritou:
- Ó Maria, antã isso faz-se ou não ? Nunca mais terminas o bordado, rapariga...
Ela riu gostoso e respondeu: - Não se preocupe tio, é para se ir fazendo... Leia Mais...